terça-feira, 22 de março de 2016

Recife é a 3ª cidade mais lenta do Brasil

Levantamento revela que recifense é o que mais perde tempo no trânsito para chegar ao trabalho

Arte/FolhaPE
O Recife é a terceira cidade do Brasil e a oitava do mundo onde condutores perdem mais tempo em engarrafamentos. É o que mostra uma pesquisa divulgada ontem pela TomTom, uma fabricante de GPS e especialista em tecnologias de monitoramento de trânsito. O índice é de 43%, equivalente ao tempo extra gasto para se locomover em relação ao necessário em condições normais de tráfego. Em média, são 44 minutos perdidos por dia, 169 horas por ano. Rio de Janeiro (47%) e Salvador (43%) encabeçam o ranking do País, e a Cidade do México (59%), o geral.
O levantamento, referente a 2015, tem outro dado preocupante: é na Capital onde é gasto mais tempo para se deslocar pela manhã (72%). Já a volta para casa, à noite, é a segunda mais demorada. Situação confirmada por quem vive as dificuldades de ir e vir na Cidade.
Ao sair do trabalho, o comerciário André Carvalho, 42 anos, já sabe os engarrafamentos que terá que enfrentar dentro de um ônibus para seguir da Zona Norte ao bairro do Derby, percurso que inclui a avenida Dezessete de Agosto, a Estrada do Encanamento e a avenida Rui Barbosa. “O trânsito lento faz com que o ônibus demore e, com isso, nunca dá para ter certeza da hora em que será possível chegar”, diz. No fim do percurso, ele passa pela avenida com maior fluxo na Capital: a Agamenon Magalhães, que recebe 89 mil veículos/dia, nos dois sentidos. A Mascarenhas de Morais (59 mil/dia) e a Abdias de Carvalho (58,5 mil/dia) ocupam as posições seguintes. “Só vi o trânsito piorar ao longo do tempo. É muito carro para pouco espaço”, afirma Roberval de Menezes, 56, taxista há 32 anos.
Apesar do resultado negativo, o Recife recuou dois pontos percentuais, já que, na pesquisa referente a 2014, tinha 45% como média de lentidão no trânsito. Naquela edição, contudo, foi classificada como a cidade com a pior volta para casa, com até 94 horas gastas a mais em um ano.
Para o presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis em Pernambuco e especialista em engenharia de Tráfego, Stênio Cuentro, as condições geográficas da capital pernambucana impõem mais desafios à busca pela fluidez viária. “Vejo como limitador no Recife um território que não tem para onde crescer e cortado por cinco rios e 99 canais, ou seja, 66% da cidade é água. Isso exige soluções mais caras. Há vários pontos onde há a necessidade de construir dezenas de pontes, por exemplo.”
Em nota, a CTTU informou que “realiza um trabalho diário e intenso de monitoramento e operação de trânsito” para identificar pontos de retenção, apontar melhorias e evitar acidentes. Citou o trabalho de 430 agentes de trânsito e de 348 orientadores, além da Operação Cone, que inibe a formação de filas duplas e promove maior fluidez. O órgão destacou ainda a implantação de 29,1 quilômetros de corredor exclusivo de ônibus (Faixa Azul), que beneficiou 500 mil pessoas.
Fonte (Luiz Filipe Freire, da Folha de Pernambuco)

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