segunda-feira, 21 de março de 2016

Homem que mata a mulher e esconde corpo em tonel vai a júri popular

Por Gleide Ângelo
Foto: Heudes Régis/JC Imagem
Caros leitores,
No artigo de hoje falarei sobre um crime bárbaro ocorrido em Ponte dos Carvalhos – Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, onde o acusado matou a companheira e escondeu o corpo dela por seis meses dentro de um tonel, na área de serviço da residência, e continuou morando com outra mulher.
Esse crime ocorreu no dia 27 de setembro de 2014 e ele foi preso no dia 11 de março de 2015.  No dia 11 de março de 2016, o juiz Luiz Carlos Vieira de Figueiredo, da 1ª Vara Criminal do Cabo de Santo Agostinho, proferiu a Sentença de Pronúncia. Com isso, o  acusado irá ao Tribunal do Júri e será julgado pelo júri popular em data que será marcada em breve pelo judiciário. 
O CASO DO TONEL - O acusado conheceu a vítima no Estado de Minas Gerais, onde conviveram e tiveram uma filha que estava com quatro anos de idade. Os familiares da vítima não aceitavam o relacionamento porque diziam que o acusado era violento e tinha outras mulheres. Por isso, o acusado e a vítima resolveram vir para o Estado de Pernambuco para ficar longe da família dela. 
Neste Estado, ela conseguiu um emprego em uma empresa de logística e ele era treinador físico. Depois de seis anos de relacionamento conturbado, a vítima resolveu se separar do companheiro, pois não aguentava mais as brigas e agressões. Não aceitando a separação, o acusado matou a vítima cortando o pescoço dela com uma faca. Em seguida, enrolou o corpo da vítima com um tapete e colocou dentro de um tonel que havia na área de serviço da casa.
Depois, ele pegou no quintal baldes de areia e colocou dentro do tonel, lacrando-o com silicone. Premeditando tudo, ele ainda colocou um cano dentro do tonel que servia como “suspiro” para que os gases saíssem lentamente e evitasse o odor do corpo. Tudo isso foi feito com a filha de quatro anos em casa.
Demonstrando frieza, em menos de um mês, o acusado colocou dentro de casa uma mulher que ele tinha um relacionamento extraconjugal há mais de dois anos. Na casa ficou morando o acusado, a mulher e a criança de quatro anos, com o corpo da vítima dentro do tonel na área de serviço.
Como a criança de quatro anos estava perguntando muito pela mãe, o acusado resolveu levar a filha para São Paulo e a deixou na casa de uma ex-mulher que reside em Sorocaba. O acusado tem quatro filhos com a ex-mulher e deixou a criança em uma casa que ela não conhecia ninguém. A desculpa que ele deu para a ex-mulher foi de que a mãe da criança tinha arrumado um emprego em outro estado e tinha abandonado ele com a criança.
O corpo da vítima foi encontrado seis meses depois do crime e o acusado foi preso em flagrante delito pelo crime de ocultação de cadáver e indiciado também pelo crime de homicídio duplamente qualificado. Atualmente, o acusado se encontra preso e, no dia 11 de março, foi proferida a sentença de pronúncia, onde o acusado será julgado pelo Tribunal do Júri. A criança foi entregue a uma irmã da vítima que reside em São Paulo.
A importância de mostrar esses casos reais é para que as mulheres que sofrem violência doméstica familiar vejam o que ocorre quando elas não denunciam os agressores. Neste caso, o relacionamento entre vítima e agressor sempre foi conturbado. Os familiares dela nunca aceitaram, pois diziam que ele tinha diversos casos extraconjugais. Não querendo aceitar a realidade, ela preferiu se afastar dos familiares e vir para um Estado onde ela não conhecia ninguém.
 Proteja a sua vida de homens agressores, covardes, frios e violentos 
Os vizinhos disseram que a vítima sofria muito e que eles brigavam todos os dias, inclusive com agressões físicas. Como a vítima não tinha amigos e familiares, sofreu sozinha, calada. Quando resolveu dar um basta na situação e ir embora com a filha, o companheiro agressor não aceitou e a matou de forma covarde e cruel, ocultando o corpo em um tonel e permaneceu morando com outra mulher dentro da mesma casa por seis meses.  
Esse é apenas mais um entre os diversos crimes bárbaros que ocorrem. A atitude do agressor é exatamente a dos homens dominadores, que isolam a mulher da família e dos amigos para que elas se tornem presas fáceis de suas violências.
Neste caso, se a vítima tivesse procurado a polícia e pedido uma Medida Protetiva, esse crime poderia ter sido evitado, pois o descumprimento da medida causaria a prisão preventiva do agressor. É por isso que dizemos que a violência contra a mulher ocorre de forma crescente, geralmente se inicia com a violência psicológica (gritos, ameaças), violência moral (injúria, difamação), violência física (empurrões, puxões de cabelos, murros) e desencadeia na morte.
Por isso, as mulheres têm que parar a violência no seu início, no primeiro grito. No caso real, os familiares disseram que as brigas e lesões já ocorriam há cerca de seis anos, desde o tempo em que eles moravam no Estado de Minas Gerais. Mas, acreditando que longe dos familiares o agressor mudaria, a vítima resolveu vir para Pernambuco, onde encontrou a morte sem nunca ter denunciado. Então mulheres, se vocês sofrem qualquer tipo de agressão, não fiquem caladas, não se afastem de todos. Pelo contrário, busquem ajuda dos familiares, amigos, vizinhos. Vocês têm toda uma Rede de Enfrentamento à Violência à sua disposição.
Proteja a sua vida de homens agressores, covardes, frios e violentos. Não seja a próxima vítima, DENUNCIE! 
VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHA !
EM QUAIS ÓRGÃOS BUSCAR AJUDA:
» Centro de Referência Clarice Lispector – (81) 3355.3008/300/3010
» Centro de Referência da Mulher Maristela Just - (81) 3468-2485
» Centro de Referência da Mulher Márcia Dangremon - 0800.281.2008
» Centro de Referência Maria Purcina Siqueira Souto de Atendimento à Mulher – (81) 3524.9107
» Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal - 180
» Polícia - 190 (se a violência estiver ocorrendo)
*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Fonte (NE10)

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