quarta-feira, 10 de junho de 2015

Usuários são assaltados em trem da Linha Sul

Segundo testemunha, houve pânico por conta das constantes ameaças dos bandidos

Atualizado às 20h46
Usuários da Linha Sul do metrô viveram momentos de medo, na tarde desta terça-feira (9), por conta de um assalto praticado dentro de um dos trens. Três homens, um deles armado, recolheram pertences de passageiros quando a composição seguia viagem entre as estações Joana Bezerra e Largo da Paz. O caso ocorreu por volta das 13h15.
Sérgio Bernardo/Arquivo Folha
CBTU reconhece deficiência na segurança do sistema
Apesar de ninguém ter ficado ferido, alguns usuários entraram em pânico, principalmente por conta das ameaças feitas pelos bandidos. “Eles roubaram celulares, carteiras e relógios e, quando desceram no Largo da Paz, ficaram ameaçando quem descesse junto com eles”, contou o funcionário público Omar Costa, que presenciou o assalto.
Como os trens que atendem à Linha Sul são de um modelo antigo, que não tem passagens entre os vagões, a ação criminosa ocorreu apenas na última parte da composição, de acordo com a testemunha. Após o desembarque dos bandidos, a viagem seguiu até a estação seguinte – a Imbiribeira –, momento em que o maquinista foi comunicado sobre o ocorrido.
“Nessa hora, foi formado um pequeno tumulto. Todos saíram do vagão. Avisamos aos passageiros do outro trem que parou na plataforma em direção ao Recife, já que os assaltantes tinham descido e poderiam assaltar de novo adiante”, contou o funcionário público, que disse que, por sorte, não teve nada levado.
A assessoria de comunicação da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) reconheceu dificuldades na segurança, atualmente feita por vigilantes terceirizados e sem o apoio de policiais ferroviários federais, que estão impedidos de atuar ostensivamente e com armas de fogo por conta do questionamento judicial sobre a legitimidade da instituição.
O orçamento apertado também foi apontado como um entrave para melhorias na vigilância. O órgão gestor também ressaltou que é importante que as vítimas prestem queixa para que haja a dimensão exata dos casos. No caso desta terça, por exemplo, nenhuma comunicou o fato oficialmente à CBTU. Denúncias podem ser feitas através do telefone (81) 3455.4566. 
As imagens de câmeras da plataforma da estação Largo da Paz deverão ser repassadas à Polícia Civil. Já o trem não tem filmadoras.
Passageiros relatam insegurança constante
Entre os usuários do metrô, a sensação é de medo devido à ausência de um efetivo que evite a violência nos vagões, assim como nas plataformas. "A sensação é totalmente péssima, a gente não tem segurança nenhuma. O metrô sempre lotado, pra ser roubado é muito mais fácil, muitas vezes a gente nem percebe quem tem a habilidade de roubar. O meu celular foi roubado na semana retrasada", relatou o estudante de Hotelaria, Márcio Freitas, de 30 anos.
Já a auxiliar administrativa Denise Alves, 40, afirma que não presenciou assaltos, mas sabe dos relatos. Ela pega o trem todos os dias para ir trabalhar e voltar para casa. "Já soube e já presenciei pessoas viciadas cheirando cola dentro do metrô e fazendo vandalismo, mesmo. Tomando conta do vagão, correndo para os lados, e assustando. Não cheguei a ver assalto, mas já soube de vários. Não tem segurança nenhuma. Só dia de jogos", denunciou. Em relação ao assalto ocorrido nesta terça, ela disse ter mudado o roteiro quando soube do ocorrido. "Hoje mesmo eu soube do que aconteceu, e mudei meu roteiro. Eu iria para o shopping, mas estou indo direto para casa para não ter que pegar a linha sul para cá, que foi onde aconteceu o assalto", completou Denise.
O administrador Claudiano Soares, de 23 anos, contou que percebe uma movimentação muito fraca de seguranças nas estações. "Movimentação de segurança eu até vejo, mas tem dias que a movimentação é bem falha. Tem dias que tem cinco ou seis vigilantes, mas varia. Pode ser o esquema de segurança da instituição em si, mas me sentir seguro, eu não me sinto. Fiquei sabendo de assalto no metrô nessa semana. Eu não presenciei, mas dentro do metrô não vejo vigilância. Nunca vi", ressaltou o jovem.
Dentre os usuários que sentem inseguros está o servidor público Alexandre Gonçalves, de 30 anos. Assim como os outros, ele também está sempre atento a qualquer movimentação estranha. "Eu não tenho visto segurança no metrô. Só vejo quando o trem está parado em uma estação, que o vigia entra e dá uma olhada pra ver se tem ambulantes dentro do vagão, que é isso que eles olham e saem em seguida. Já tive notícias de algumas pessoas que foram vítimas de assalto. Toda vez que eu entro no metrô, e percebo uma movimentação estranha, a gente já fica mais atento", concluiu.

 

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