quinta-feira, 9 de abril de 2015

Audiência na Câmara discute fim do open bar

Do Diário de Pernambuco
Aconteceu na manhã de hoje na Câmara de Vereadores do Recife, a audiência pública sobre o Projeto de Lei nº 40/2015, que prevê o fim do open Bar em Pernambuco e quer regulamentar a realização das festas com música eletrônica no Estado.
Organizador da audiência, o vereador Luiz Eustáquio (PT), citou os custos gerados para Estado pelo consumo abusivo de álcool. “Não podemos restringir a liberdade, mas quando as pessoas estão alcoolizadas passam do limite e podem até ir à morte sem perceber. O prejuízo no consumo de bebidas alcoólicas é inerente, mas se você acelera o consumo como no caso do open bar a situação se torna ainda pior”.
O psiquiatra especializado em dependência química Carlos Gustavo lembrou que o corpo humano só é capaz de processar 20g de álcool por dia, e o excedente prejudica o organismo. “As pessoas tentam reaver o dinheiro investido no ingresso por meio da bebida e não se controlam. Álcool e drogas são uma fuga. As pessoas muitas vezes vão para o open bar para tentarem sufocar os seus problemas. Dizem que sabem o seu limite, mas isso não é verdade”, acredita.
A representante da Secretaria de Saúde, Telma Melo, acredita ser muito importante ampliar essa discussão. "A grande preocupação é que essa oferta do open bar se dá para os jovens que não têm total discernimento pra avaliar os riscos do álcool".
A secretária da criança e do adolescente, Ana Suassuna, pensa que a sociedade acata e aceita o álcool. "Ninguém fala do álcool como uma droga, mas ele é igual a qualquer outra. Isso cria uma dificuldade extra na prevenção. Essa geração anda bebendo muito e tem uma ansiedade grande, reflexo da sociedade de consumo em que vivem. O open bar acelera o uso do álcool".
O empresário Victor Carvalheira, representando os produtores de eventos open bar, afirmou que antes de tudo, o objetivo não é incentivar o consumo. "Esse tipo de evento é um serviço e quem vai paga altos valores para ter comodidades". Victor também contou que diante desses projetos para regulamentação do open bar, os empresários do setor estão criando uma associação, com 71 empresas até o momento, para aumentar a representatividade do setor. "Não temos ainda uma posição consolidada contra ou a favor. Na minha opinião, a proibição de um nicho de mercado é muito menos importante do que as medidas educativas que possam ser tomadas. No fim das contas, isso pode prejudicar um setor que movimenta a economia e gera empregos direta e indiretamente", argumenta.
O projeto é de responsabilidade do deputado estadual e membro da bancada evangélica na Assembleia Legislativa, o pastor Cleiton Collins (PP). O Projeto de Lei nº 40/2015 impõe diversas regras, entre as mais polêmicas estão a comprovação da existência de equipamentos para teste de uso de drogas e que, estes eventos, durem, no máximo, 10 horas. O curioso é que o parlamentar, antes de se tornar evangélico, trabalhou como radialista e DJ em festas no estado. Na época, o hoje pastor era conhecido como “DJ Banana”.
Apesar de parecer pouco viável para os dias atuais, o Projeto de Lei do pastor também tem pontos que abordam questões como segurança e saúde. A proposta pede para que, a cada 1 mil pessoas numa festa, sejam disponibilizados um médico socorrista, um enfermeiro e um técnico de enfermagem. Também estão no projeto a obrigação de um segurança para cada vinte pessoas e o critério de um metro quadrado por pessoa, no mínimo, dentro das casas de show ou nos locais das festas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário