terça-feira, 24 de março de 2015

Pão francês 10% mais caro

Saco de trigo custa, em média, R$ 95. Mercado projeta que preço chegue a R$ 100

Bruno Campos/Folha de Pernambuco
Nas padarias custo com energia também reflete no valor final do produto
Apesar de o dólar ter fechado a última segunda-feira (23) com queda de 2,66%, ainda está longe de impedir a alta do trigo e, consequentemente, do pãozinho francês. Depois de sucessivas elevações, o peso da moeda estrangeira já influencia no custo do trigo - já que o País importa metade do insumo - e no bolso do consumidor, que nos próximos dias vai encontrar o produto 10%mais caro, em média. Embora a alta não seja unânime, pois cada panificadora mantém uma planilha de custos diferente, os empresários amargam despesas e não veem alternativas a não ser repassar o preço ao cliente. Hoje, o saco de trigo custa R$ 95, média, e a projeção é que ele suba para R$ 100.
Sócia da Panificadora Pan Shop, Sandra Brás contou que vem tentando não repassar o aumento, mas disse está difícil. Além da alta do dólar, registrou também o aumento da eletricidade e da água. “Muitas padarias usam forno elétrico e o preço da energia pesa muito. Mesmo quem usa forno a lenha tem sentido impacto por causa das outras máquinas, como o misturador”, explicou. Esse cenário já foi responsável por reajustar o preço da farinha de trigo no mês passado, em10%, e agora já foi avisada pelo seu fornecedor que nas próximas semanas virá um novo aumento. “Não falaram de quanto será, mas está se falando em 10% novamente. O trigo é quase todo importado e como dólar do jeito que está não tem o que fazer”, lamentou.
O dono da Padaria Massa Nobre, Ronaldo Rodrigues, disse que em 12 meses o trigo aumentou 22% e que apenas 5% foi incluído no preço final do pãozinho. “Fizemos isso nas últimas, agora em março”, afirmou. Para ele, não vale a pena garantir o percentual cheio, pois o mercado está retraído. Desde janeiro a conta só aumenta para Rodrigues. “Dissídio da categoria, energia elétrica e pressão do dólar na farinha e nos derivados. Se até abril as coisas não reverterem, vamos passar adiante, pelo menos, 5%”, destacou.
Na análise do diretor-executivo da Associação Brasileira de Panificação (ABIP), Joaquim Sousa, essa situação acontece porque o Brasil não é um recordista no consumo de pão, então seria fácil abrir mão do produto. Hoje, o País consome 30 quilos per capita por ano de pão, enquanto que o Chile e os países da Europa consomem entre 50 e 60 quilos. “Elevar o preço é um sacrifício para o panificador porque o cliente pode desistir de comprar naquela empresa. Por isso, temos que ter cuidado para o reajuste não ficar fora da realidade”, explicou. Sousa reiterou não te como mensurar o percentual exato do aumento e que cota ficará sob responsabilidade de cada empresário.
Moeda fecha em baixa, cotada a R$ 3,15
SÃO PAULO - O dólar vista no balcão deu sequência ao movimento a sexta-feira e fechou em baixa pela segunda sessão consecutiva, ontem, cumulando, ante o real, desvalorização de 4,37% este período. O desempenho foi determinado pelo exterior, onde a moeda norte-americana perdeu valor de norma generalizada, afetada elas apostas de que o Federal Reserve (Fed) deverá subir o juro nos EUA somente no segundo semestre. O dólar à vista no balcão encerrou em R$ 3,1510 (-2,66%), o menor patamar desde o último dia 11 (R$ 3,1250). Oscilou da máxima de R$ 3,2160 (- 0,65%) à mínima de R$ 3,1500 (-2,69%).
A percepção de que o Fed não deverá mexer nas taxas dos Fed Funds nas próximas reuniões e, quando o fizer, será de forma bastante cautelosa, vem provocando a queda do dólar ante as principais moedas, desde a divulgação do comunicado da reunião do BC norte-americano na última quarta-feira. Hoje, a expectativa de que a retirada da política monetária do modo acomodatício será feita com cuidado foi reforçada após declarações do vice-presidente do Federal Reserve, Stanley Fischer.
Ele disse que os juros do país devem subir ainda neste ano, mas alertou que é improvável que os movimentos seguintes sejam apenas para cima. Segundo ele, porém, a decisão de aumentar os juros será comunicada por “uma ampla gama de informações sobre as condições do mercado de trabalho, inflação e evolução financeira e internacional”, acrescentou.
No Brasil, o recuo do dólar ante o real foi mais acentuado do que as demais divisas emergentes porque, recentemente, o real vinha sendo comparativamente bem mais castigado. Operadores destacaram ainda que, nos últimos dias, tem ajudado a moeda brasileira um movimento gradual de redução de posições compradas em dólar no mercado futuro.

  Por Raquel Freitas, da Folha de Pernambuco

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