quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Betinho Gomes, sobre Lula Cabral: “É colocar uma raposa para tomar conta do galinheiro”

(Foto: Lucas Melo/Folha de Pernambuco)
De saída da Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado federal eleito Betinho Gomes (PSDB) fez um alerta sobre a disputa pelo comando da Casa. Segundo ele, o PSB “comete um grave erro político” ao indicar o deputado estadual eleito Lula Cabral (PSB) para a primeira secretaria do Legislativo estadual.
Segundo ele, o socialista foi denunciando pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por supostas irregularidades quando comandava a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho. “É extremamente grave saber que quem vai cuidar das licitações da Assembleia tenha esses problemas”, afirmou o tucano, em entrevista, por telefone, à Rádio Folha FM 96,7 mhz.
Ele citou que, em 12 de agosto de 2014, uma Ação Civil Pública foi ajuizada pelo MPPE por atos de improbidade administrativa. Na ação, que teve como base relatório de auditoria do Tribunal de Contas de Pernambuco,  os promotores Maviael de Souza Silva, Aline Daniela Florêncio Laranjeira e Antônio Fernandes de Oliveira Matos Júnior acusam o socialista de ser o cabeça do que chamam de “esquema criminoso de fraudes em licitações”, montado na Prefeitura do Cabo quando da gestão de Lula Cabral.
“É colocar uma raposa para tomar conta do galinheiro”, disparou Betinho Gomes, acrescentando que, como aliado, tem que fazer o alerta. “Um bom aliado é o que tem sinceridade na palavra. Em política, não cabe um aliado omisso.”
Betinho Gomes também acrescentou que, apesar de ser adversário de Lula Cabral no Cabo de Santo Agostinho, a sua postura não tem a ver com a disputa local. “Não vou participar da disputa, mas, como cidadão, faço esse alerta. E espero uma reflexão até domingo”.
Ação
De acordo com Betinho, o MPPE, após análise dos processos licitatórios realizados para a locação de veículos, compra de material de expediente, de limpeza e material gráfico, identificou que o esquema atuou em todos esses processos e que, só em 2005, mais de R$ R$ 1 milhão foi movimentado ilegalmente pelo grupo de 23 acusados.
Ainda de acordo com o parlamentar, a ação cita que cerca de 40 processos de locação de veículos teriam sido montados com a finalidade de beneficiar o esquema. Ainda segundo o Ministério Público, o modus operandi consistia no “fracionamento de despesas para fugir do processo de licitação”.
“Falsificações grosseiras de assinaturas, documentos públicos fraudados, locação de veículos fantasmas com motoristas que sequer eram habilitados”, são apontados na ação.
A ação, de número 0005348-20.2014.8.17.0370, tramita na Vara da Fazenda Pública do Cabo de Santo Agostinho e pede que os réus, além de devolverem valores que teriam sido desviados, sejam também condenados pela prática de ato de improbidade administrativa, cuja pena é perda dos cargos públicos que estejam ocupando, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos entre outras penalidades, como multa civil de até duas vezes o valor do dano.
A reportagem tentou falar com o deputado eleito Lula Cabral, mas não obteve sucesso.

Fonte (Blog da Folha)

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