segunda-feira, 28 de julho de 2014

Políticos ainda usam mal as redes sociais

Túlio Velho Barreto diz que atuais políticos são “imigrantes digitais” (Foto: Peu Ricardo/ArquivoFolha)
Por Tauan Saturnino
Da Folha de Pernambuco
Apesar de seu caráter incipiente no Brasil, a tendência observada pelos especialistas ouvidos pela Folha de Pernambuco é de que as redes sociais ganhem uma relevância cada vez maior nas eleições nacionais. Entretanto, um fator que dificulta o aproveitamento mais efetivo deste meio é a própria falta de habilidade dos políticos em utilizar de maneira relevante as plataformas digitais.
No linguajar das ciências sociais, o perfil da classe política brasileira se enquadraria na população denominada de “imigrantes digitais”, termo usado para conceituar pessoas que cresceram em uma época em que a Internet não existia e tiveram que aprender a utilizar uma linguagem que não lhes era familiar. Em contraste com esse contingente, os “nativos digitais” representariam a geração de jovens nascidos após 1990, criados dentro de uma subcultura que prioriza o uso das plataformas digitais de comunicação.
De acordo com Túlio Velho Barreto, o número de políticos que se enquadra na categoria de “nativos digitais” é insignificante. “Ainda temos políticos que são da geração de imigrantes digitais. Desta forma, a sensação que tenho é que os políticos ainda não sabem usar as redes sociais da mesma forma que estes jovens. Não há um uso intensivo. Talvez em três eleições possamos ver isso se modificar. Em termos quantitativos, o número de políticos jovens não é significativo”, considera.
De acordo com Paulo Rebêlo, diretor da agência especializada em estratégias digitais, Paradox Zero, o modo como os políticos usam as redes sociais está longe do ideal e é necessário aumentar o nível dos debates virtuais. “Poderia ser um debate mais saudável de ideias e projetos, sem dúvida. Mas, na prática, esse processo ainda é extremamente amador. A maioria das campanhas não alimenta o debate público e, em vez disso, opta por alimentar redes de boatos. Muitas campanhas não entendem que entrar em uma página e discutir projetos e ideias é um comportamento que não há anúncio que pague”, considera Rebêlo.
VINCULAÇÕES
No caso da disputa deste ano, Túlio Velho Barreto, considera que os números seguidores dos socialistas Paulo Câmara e Eduardo Campos, no Facebook, podem ter relação com o prestígio da ex-ministra Marina Silva (PSB) entre os eleitores mais jovens. “No caso de Paulo Câmara, creio que seja um reflexo da campanha de Eduardo. Quem tem acesso ao Facebook possui mais informação e sabe que ele é o candidato de Eduardo, ao contrário do eleitorado geral, que ainda identifica o ex-governador mais ligado com Armando Monteiro Neto (PTB). Nacionalmente, Eduardo tem um discurso que se aproxima mais dessa nova geração que cresceu dentro do ambiente digital. Ele também se beneficia com o eleitor de Marina Silva, cuja militância, há muito tempo, tenta criar uma cultura em torno das redes sociais”, declarou.

 POR BRANCA ALVES

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