quarta-feira, 26 de junho de 2013

Que as ruas falem por si

DOUGLAS MENEZES, professor, imortal da Academia Cabense de Letras

Que as ruas falem por si. Pouco importando se a direita e a esquerda tentem ser os pais da criança. Um menino que vem nascendo há algum tempo, de forma natural, até explodir como explodiu, a lembrar o grande Chico, na Rosa dos Ventos: “Numa enchente amazônica, numa explosão atlântica / A multidão vendo em pânico / A multidão vendo atônita / ainda que tarde, o seu despertar”.
Mas parece que os políticos, ao contrário da canção, é que estão vendo em pânico um despertar fruto mesmo do descaso deles.
“Temos os políticos mais caros do mundo, e o professor mais barato”, dizia um dos cartazes: por isso, como esta nação vai crescer? O Brasil é o lugar da inversão de valores, único onde vereador ganha dinheiro.
Que as ruas falem por si. Você trabalha quase meio ano para pagar impostos. Temos um dos piores sistemas educacionais do mundo, com a educação pública pagando salários aviltantes aos professores.
Morrem mais pessoas por dia que em qualquer guerra. A saúde pública não existe, pessoas são jogadas no chão dos hospitais como lixo. E alguém fala de movimento partidário, como se vivêssemos no melhor dos mundos. Até em golpe, querendo esconder o fracasso de muitos aspectos dessa administração de dez anos.
Quem faz feira sabe o que é ir a um supermercado, com preços sempre em alta, e as pessoas fazendo malabarismo para chegar sobrevivendo até o fim do mês.
Que as ruas falem por si. Estradas se acabam, se esfarelam como se fossem feitas de bolinhas de açúcar. Uma infraestrutura calamitosa. No entanto, os privilégios permanecem para uma classe que deveria ser exemplo e honrar o voto recebido. Não é. Além de rerceber salários que o trabalhador comum não recebe, pois legisla em causa própria e só olha para seu próprio umbigo.
Que as ruas falem por si. Não se pode ser contra programas sociais de transferência de renda. A miséria ainda é enorme por aqui. Mas é preciso entender que o Bolsa Família deveria ser algo provisório, com o objetivo principal da promoção humana. Quando ele aumenta o número de beneficiários é sinal de que a pobreza cresceu e que seu objetivo sazonal passou a ser permanente. E não é isso o que se quer para o povo brasileiro.
Que as ruas falem por si. Esse alerta não tem cor. Se é perigoso, veremos depois, mas se apresenta como necessário. Uma necessidade brotada de modo espontâneo e instintivo. Gastar quase 40 bilhões com uma Copa do Mundo, sem que haja soluções financeiras para os problemas maiores é uma insensatez. A África do Sul fez um campeonato Mundial e nem assim ficou menos pobre. O lucro vai sempre para as instituições capitalistas poderosas, porque depois da maquiagem para o evento, os problemas voltam a ser os mesmos, às vezes até agravados.
Que as ruas falem por si. Bom que o gigante tenha acordado. Até para que deixem de pensar que somos gados ou cordeirinhos levados para qualquer lugar. Que os protestos se multipliquem sob o desejo da mudança. E lembremos, de novo, a canção de Chico: “A multidão vendo atônita, ainda que tarde, o seu despertar”
Fonte (Blog do Firmo)

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